Justificativas

Em http://pinturasonline.blog.pt/

Ele tem olhos escuros, pele clara, alma escancarada e chegou do nada.

Ele tem mãos grandes, braços protetores e invadiu minha rotina.

E ponto.

Ele tem cabelo sedoso, olhar airoso e tomou minha alma.

Ele desperta a minha infância, acorda minha juventude

e me aponta a velhice.

E ponto.

Cheiro, pele, amor, pega-me pela mão e cura a dor.

E mais nada.

Menino...

 

Menino. Bonzinho. Bem educado. Inteligente. Esperto. Menino querido. Único. Amado.  Moldado. Sufocado...

- Cuidado para não se machucar. Não veja isso. Nem aquilo. Cresça, mas sob os meus olhos. Voe, mas até onde eu possa observá-lo - dizia-lhe a mãe. Tantas especificidades desse menino. Tamanha complexidade tinha seu espírito.

 

Garoto de tantas perdas...

 

Primeiro foi-se o sonho. Queria ser ator. Tinha talento. O menino sabia. Todos sabiam. Não acreditou no sonho. Pela primeira vez cometeu a primeira barbaridade. Exterminou o sonho. Mas ele chegou a decolar. Mas lá de cima, menino viu que precisava voltar.

 

Depois vieram os medos...

 

Tantos! Quantos? Muitos, muitos... Era medo de voar. De falar. Das pessoas. Do mundo. Medo de viver. De sentir. De tanto ter medo, parecia ingênuo. Solitário, patinho feio. Inseguro. Depois veio coragem. Mas que coragem? Se ele fazia o que os normais faziam. Menino teve coragem de mudar. Ousar. De levantar vôo. E como voava. Só que de tal vôo, um acidente. E pôs-se mais uma vez a sofrer, sofrer... E se escondeu atrás dos sonhos...

 

Aí vieram os pesos...

 

O peso do trabalho, da competição, das cobranças... Peso que lhe jogavam de tal forma que doía, ardia, sufocava, estrangulava-lhe os miolos...

 

Aí veio a separação...

 

Sentiu a dor. Mas pela primeira vez conseguira respirar como nunca havia feito antes. Mas passaram-se os meses, as semanas, os dias... E como tudo ainda doía para o menino, chegara à conclusão que tudo ia ser sempre dor. E que dor. Dor que sempre ia acompanhar o menino. Sempre...

 

:(

Ensaio sobre a insegurança

Parei. Pensei.

É ele? Será?

Coração acelerado.

Pulsação com ritmo disparado.

Vontade de chegar. Olhar.

Balbuciar um oi.

Sorrir.

Conversar...

 

Parei. Pensei.

Não devia ter feito aquilo.

Ido até lá.

Falar. Relembrar.

Me iludir.

Ir embora.

Dormir.

Com ele sonhar...

 

Parei. Pensei.

Que coragem.

Fui até lá.

Falei.

Seduzi.

Consegui.

Sonhei

Me permiti voar...

 

Parei. Pensei

Torridamente: pensei.

Me remoí.

Me pressionei.

Não fui.

Ele se foi.

Não agi .Demorei.

Menti pra mim.

Coloquei-me a chorar...

 

Parei. pensei.

Nunca mais

A razão vai me tomar

O coração ficou de lado.

Em cima do muro.

Amedrontado.

Volto para a casa

sem corpo e sem alma.

Deixei meu coração lá...

 

 

Conclusões de neto

Atenção! Esse é um relato baseado em fatos reais. Foi escrito por um adolescente em meio a uma de suas crises existenciais após uma briga com os pais.

Certa vez li em um estudo que netos criados juntos a seus avós tinham mais auto-estima e confiança. E eu, que sempre questionava dados e teorias desses institutos e centros de pesquisas, já que podem ser meras perâmbulações ou devaneios alheios... passei a acreditar nisso.

Quem pode se transformar em um sujeito introspectivo, inseguro e infeliz tendo a casa dos avós como um recinto, um templo precioso onde se repõe todo o gás e planeja as próximas metas para a vida? Casa de ‘vô e vó’ é a sua terapia sem pagar nada! Confira só:

1.Quando o assunto é comida...

Casa de vô e vó é o local onde você toma aquele sorvete no palito que na sua casa não teria tal sabor. É lá que se come o melhor bolo de chocolate com cobertura de prestígio. Onde você toma refrigerante no café da manhã. Belisca doce antes do almoço. Devora e se meleca com aquele cachorro-quente repleto de catchup, mostarda, purê e batata palha.... É onde você almoça durante a semana, aos sábados, domingos e feriados. Come aquele pãozinho quente sempre quando você pede com aquela cara de criança abandonada.

2.Quando o assunto é folga....

É no sofá da casa deles que você pode colocar o ‘pezão’ de chulé. Tem telefone liberado para tarifas locais, celulares e interurbanos. Saídas e baladas todos os dias. Banhos demorados e escaldantes. Tela Quente, Jô Soares e toda a programação noturna que se tem direito. Dormir até 12h. Dormir a tarde. Acordar a hora que Deus quiser porque eles não vão deixar nada e ninguém lhe tirar desse oásis. Lá você dorme. Como um rei!

3.Quando o assunto é flashback...

Casa de vô e vó é sempre momento para histórias e retrospectivas de suas vidas. Eles contam cada fato do passado deles que você também percebe que ambos aprontaram muito.

Vó e vô é canção sem letra, porque a memória deles não é mais a mesma e eles embaralham trechos de uma canção com outra, e você se diverte muito com isso. Com vô e vó você até topa cantar aquelas músicas antigas, as sertanejas, de raiz que eles te ensinaram quando você era pequeno.

E quando eles recordam de alguma cena de sua infância? Putes...com eles é diferente. Não é ‘mico’ que nem com pai e mãe. É relembrar e rir muito!

4.Quando o assunto é micão...

Você assiste Silvio Santos com eles e acha o máximo. Ou ainda, confere o resultado da Tele Sena com os velhos numa boa. Deles você ganha presentinhos e mimos especiais no aniversário e Natal. Na casa deles você encontra seus primos, parentes chatos e companhia, briga e arma o barraco com seus pais e irmãos...

5.Quando o assunto é serio...

Vô e vó: é elogiar e dizer que é ‘bom partido’ aquele último namorado que você apresentou e seus pais olharam meio torto para o cara. É esconder os ‘seus’ podres dos ‘seus’ pais. Conversar horas e mais horas com eles e adorar aquele papo, que ao mesmo tempo que te escuta, te repreende.

E quando você está no maior dos bodes e eles ainda insistem em tomar partido e dizer que você tem razão? E com razão! Eles conhecem bem você. Eles conhecem bem o filho de seu filho, a quem eles geraram e criaram. Vô e vó também puxam a orelha. Dão sermão. Falam que você tem que respeitar seus pais. De que precisa estudar. Trabalhar e trabalhar. E ter acima de tudo juízo.

6.Conclusão...

Se o mundo é repleto de gente insegura e de baixa estima, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deveria soltar um alerta ao mundo: todos os meninos e meninas desse planeta não podem mais ficar um dia se quer longe de seus avós!

Fala a verdade...não tem coisa melhor do que aqueles cabelos grisalhos, que resumem a experiência e longos anos de vida, e aquela expressão que se resume a um sorriso confiante sempre te fazendo feliz, te dando apoio em tudo. Tudo. Vô e vó é isso: bolo de chocolate, sorriso e carinho! Vô e vó: um monte de sonho...e todos realizados...por eles!

Vou morar com meus avós...é essa a sacada!

Assinado: filho frustrado que prefere não se identificar

 

No Parque

 

Remédio imediato

Não tão barato

Formidável

É contra depressão

 

Chefe mal humorado

Salário atrasado

Amigo inimigo

Pai sem educação.

 

Contra irmão ausente

Falta de amor próprio

De ser amado

De chão.

 

Sonhos atrofiados

 Sentimentos sufocados

Contra medo

 Solidão.

 

 

 Loucura imediata

 Droga natural e provocada

Alegria e Euforia

Inquietação.

 

 Frio na barriga

Esquizofrenia

Obstáculos da vida somem...

No Parque de Diversão.

 

 

 

 

 

A lista de uma balzaquiana

Pegou papel, caneta e listou. Base, sombra, rímel, delineador, blush e batom. O vermelho para valorizar um dos traços que mais chamava a atenção. Sais, esfoliantes, creme anti-celulite, óleo para o corpo, perfume francês e óleo de silicone para os cabelos. O importado, não queria ver um só fio em pé. Massagem, limpeza de pele, peeling, banho de lua, manicure, pedicure e depilação. Para ficar com a pele lisinha. Sapato salto agulha, calça preta, blusa decotada e saia. Justa e curta, tinha que ousar mais. Academia, dança de salão, caminhadas no parque, triatlon, check-up com um clínico geral e sutiã meia-taça. Afinal, passara dos 30. Yoga, relaxamento, budismo, livros de auto-ajuda e terapia. O auto-conhecimento era a sua meta. Camões, Vinicius, Chico, Bocage e Kamasutra. O romantismo e a sexualidade também tinham que fazer parte do enredo. Djavan, Fred Mercury, Bob Marley e Elis. Um pouco de música para a alma. Aulas de Italiano, Francês, Alemão, palestras, workshops e cursos de especialização. Para se intelectualizar ainda mais. Auto-estima, espontaneidade, otimismo, sorriso nos lábios e bom humor. Ia parecer mais leve. Respeito, fidelidade, carinho e paciência. Fundamental na vida a dois. Shoppings, centros culturais, exposições, barzinhos da moda, churrascos, casas noturnas, viagens à praia, ao campo e qualquer outros pontos de encontro. Lugares estratégicos para não faltar oportunidades. Encontros virtuais, disque-amizade, agência de encontros e rede de amigos. Talvez algum possa ajudar. Catolicismo, protestantismo, espiritismo e umbanda. Sua fé não tinha limites. A lista era vasta. Certos itens já tinha e os sabia explorar como um mestre com total domínio de sua arte e conhecimento. Alguns eram o mero sacrifício latente, mas não valia a pena admitir e desistir. A cada dia, a cada item que cumpria e repetia, era o degrau mais próximo da felicidade. Pensava. Não tinha medo. Era o objetivo mais obsedante que havia tido até então. Podia demorar. Ia acontecer. Cansara de ficar sozinha. Do trabalho para casa, da casa para sabe lá onde tamanha infelicidade lhe levava. Até o fim do ano sonhava. Prometeu. Iria à luta. Tudo estava listado. Tudo que achava necessário. Daquele ano não passava. Balzaquiana? Sim. E queria um marido encontrar.

 

Tio André em...

Episódio 2: O Pão Duro

 

Definitivamente as mulheres de hoje surpreendem dia após dia nós, seres do sexo masculino. E como. Outro dia eu estava no apartamento de minha irmã Cláudia, na cidade de Catanduva, interior do Estado, quando minha sobrinha caçula, a doce Clarice, de apenas 17 anos, indagou:

-Tio, o que achou da minha cinturinha?-disse Clarice em tom de superioridade e com uma auto-estima de sete andares.

-Um violão, não?-interrompeu Cláudia, no estilo mãe coruja. Bem, de violão a cinturinha de Clarice nada tinha. Talvez, se a comparação era para ser mantida em um nível de instrumentos musicais, sua cintura estivesse mais para uma sanfona. E eu, como o tio ‘gente boa’, quis ser gentil...

-Meus parabéns querida! Que cinturinha de vespa hein! Deve dar um trabalho imenso mantê-la. Abdominais, dietas, cremes...

-Trabalho? – minha irmã riu.

-Isso se chama lipoaspiração Tio Dé. Fiz há 40 dias.

-E ainda não terminei de pagar! –disse Cláudia em um tom ao mesmo tempo satírico e orgulhoso. "Lipoaspiração Tio Dé. E ainda não terminei de pagar", o que acontece com essas duas? Elas estavam loucas e queriam me transformar em um? Primeiro, onde já se viu uma adolescente de 17 anos fazer uma cirurgia plástica? Mal saiu das fraldas a menina. Segundo, não me esqueço que há pelo menos dois meses Cláudia havia me ligado em São Paulo, pedindo um dinheiro emprestado. Sei...Tsc, tsc, tsc...Essas mulheres.

Mas eu já devia ter me acostumado com os sonhos de consumo do sexo feminino. Maria, minha ajudante, a moça da faxina do meu apartamento, conversava dia desses com a empregada da vizinha, no meio do expediente:

-Lourdes, tô juntando um dinheirinho pra dar uma levantada na comissão de frente. – exclamou em alto e bom som. Dias depois do episódio, cotuquei:

-Comissão de frente, Maria?

-É Seo André. Minha poupança no Bradesco é pra erguer a Comissão, o senhor sabe, depois dos 40, nem com reza braba...

-Como? – não conseguia concatenar as informações.

-Silicone, homem de Deus!-Silicone? Aquele para os peitos? Meu Deus! A mulher não tem nem casa para morar. E eu achando que a Comissão de Frente tinha a ver com o Carnaval, Desfile de Escola de Samba, já que a Maria adora um batuque. Sonho é sonho. Eu respeito. Mas as pessoas dão valor a cada coisa. No caso da Maria, coisas. Duas por sinal.

Outro dia, no Shopping Center, o susto foi ainda maior. Eu, em plena praça de alimentação, sossegado, passeando, quando uma mulher aos gritos me atacou:

-Drezão! Quanto tempo!-Minha cara foi hilária. O que era aquele ‘tribufu’ me abraçando? E ainda me chamava por um apelido dos tempos de faculdade?

-Não lembra mais dos amigos? Não me reconhece Drezão?

–Putes, foi aí que me recordei daquele branco do olho. Era Verônica! Velha amiga. Nos formamos juntos na USP. Mas seu rosto estava mais a ‘La Gloria Meneses’.

-Mas mulher você está muito diferente! Está...- Tentei buscar palavras. Procurei redimir a minha cara de espanto.

-Exótica! – foi a melhor palavra que havia encontrado, em coisa de segundos, uau...

-Quanta gentileza Drezão. Sabia que ia perceber. Puxei um pouquinho as pálpebras, levantei os cantinhos da boca, apliquei Botox nas linhas de expressão...-ela não precisava me detalhar mais uma intervenção cirúrgica se quer. Sabia que para tamanha mutação, havia muita mão de obra. Mas ela estava feliz e sorridente. Contou-me que há anos reunia coragem para a façanha. E assim foi para a faca.

Dia desses, após um layout no espelho virei para minha sobrinha, a Clarice, e matei minha curiosidade:

-É caro fazer uma lipoaspiração minha querida?

-Por que Tio Dé? Ta querendo fazer uma? – Clarice gargalhou como costumam fazer esses aborrescentes.

-Não é para mim. –tentei escapar. Não podia mostrar que tinha interesse de me submeter a uma cirurgia plástica, ou seja, que estava preocupado com a minha aparência, de fato.

-Maria que me perguntou. É que ela está juntando um dinheirinho, e gostaria...

-R$5 mil. Clarice disse com a maior naturalidade, como quem havia falado o valor da passagem do ônibus. Que absurdo! Me calei. Não adianta travar um debate com esses adolescentes. Certamente ela iria levantar vários argumentos, ‘tio André, eu estou me curtinho tanto agora’, ‘é suuuper difícil perder barriga’, com aquele tom de voz que me irrita...Bem, e eu relutando há meses em gastar R$2 mil para trocar o meu Opala 82. Tsc, tsc, tsc...tem gente que não tem o pé no chão. Mas eu tenho. Essas mulheres, vou te contar...

O famoso Bar do Vitachi

   E começava mais uma reunião de pauta. Às terças como sempre. Meu editor queria ‘a matéria’ para aquela edição do jornal. Cada um dos repórteres fez a sua sugestão de pauta. Ele não ficou satisfeito, relutou:

- Pô gente! Eu quero é coisa nova. – Aquele "Pô gente!" nos rendia algumas gotas de saliva no rosto. Mas no fundo, por mais aquela ladainha se repetisse a cada reunião, eu entendia o que o meu ‘querido’ editor esperava de nós, pobres repórteres. Queria algo que fugisse do comum.

A reunião tinha acabado e agora era a fome que me pressionava. Até cheguei a comentar com o meu editor e ele recomendou:

- Vai no Bar do Vitachi!

- Vitachi, onde mesmo? - eu sabia que já havia escutado esse nome, mas minha memória não ajudava.

- Pô cara, bem em frente à nossa redação! – Ele me explicou e lógico, lançou mais saliva em meu rosto.

Eram quase 11:30h quando desci as escadas da nossa redação que ficava na Santa Izabel, uma das principais avenidas de Barão. À minha frente, tão à minha frente estava o famoso Bar do Vitachi. Pequeno e bastante movimentado. Entrei no Bar. Observei o ambiente. Pedi um salgado para o senhor que estava atrás do balcão. Indaguei:

- O senhor que é o famoso Vitachi?- Ele me mediu.

- Sou.

- Faz tempo que o senhor tem o bar aqui em Barão? - Ele mais uma vez me observou.

- Há muito tempo.

O Bar do Vitachi é um lugar bem pequenininho. De um lado o balcão com os salgados. Em uma das paredes um pequeno mural com algumas notícias que Vitachi recorta do jornal. Há também uma foto de seu pai, de quem ele fala com muito orgulho:

-Meu pai foi carroceiro. Em dia de chuva era um sacrifício pra ele chegar em Campinas. Lama para tudo quanto era lado.

O que mais me surpreendeu foi o estilo irreverente que o Vitachi trata seus clientes. Os mais chegados entram no Bar e já escolhem o salgado e se servem. Lá freqüentam jovens, moças, pais com filhos...

Enquanto comia a deliciosa empada de palmito, Vitachi falou um pouco de Barão. Disse-me que ali precisa de investimento, de cuidados, de gente que goste e que tenha amor pelo distrito. E quando falei de violência em Barão, ele já tinha a resposta:

- Isso hoje em dia tem em qualquer lugar!- percebi que Vitachi era um fiel e legítimo morador de Barão.Pronto. Eu ia escrever sobre o Vitachi. Algum problema falar de um personagem de Barão? Alguém que observa e conhece o distrito, sua gente e que acima de tudo tem um orgulho danado dessa terra.

Barão é Barão, né Vitachi? E ponto final. Terra de ar boêmio, um misto de diferentes estilos, raças, gerações, gente de todas as partes, intelectuais, gente simples, batalhadora, como o Vitachi. Meu editor me deu uma bela pauta. E o Vitachi mal sabia que seria a minha reportagem daquela edição!

 

                                                          

Tio André em...

Episódio 1: Alguém apaixonado

Se apaixonar é tão difícil. Não? Pelo menos penso e acredito que sim. Ainda mais quando se é virginiano, como eu, perfeccionista e exigente com a vida e com as pessoas. Mas quando o cupido lança sua flecha o que é feio se torna belo, o que é diferente se torna especial e o que é estranho, lhe parece conhecido, familiar...

Dá pra contar as vezes que me apaixonei. Mas dessas poucas vezes... Elas foram inesquecíveis! Marcam momentos de minha vida. O primeiro dos amores foi Soninha. Filha do Seo Tatá. Tatá? É, ele tinha um nome grande, difícil e então...era Tatá. Homem religioso, só deixava eu levar Soninha no cinema após irmos rezar o terço em sua casa. E fazia questão do rosário ser rezado em uma hora. Uma hora de penitência. Mas eu amava Soninha e ela merecia tamanho sacrifício...

O lado bom de estar apaixonado é acordar sorrindo e dormir ainda mais feliz. Ver o seu amigo complicado, cheio de neuroses por que tem 47 anos e ainda mora com a mãe, de uma outra maneira. Não esquentar com o estresse do seu chefe, nem com as piadinhas do zelador depois que toma umas. Ter vontade e mais vontade de trabalhar. Se olhar no espelho e se ver bonito, sem barriga, com vida e charme para dar umas piscadinhas por aí para as mocinhas de 20.

No ato de se apaixonar, primeiro, vem o encantamento. A vontade de ter a pessoa junto. Depois, vem a imaginação. Putes, ela é a pior de todas as suas inimigas, pois ela te faz ver tão longe, te faz viajar tão além, que você acaba não vendo obstáculos, barreiras e defeitos. Mas vem acompanhada da fantasia.

Clotilde sabe bem disso. Já na segunda quinzena de nosso namoro, combinamos de nos encontrar no restaurante Sujinho da Avenida Ipiranga, em São Paulo. Disse que tinha uma surpresa para mim. Nem bem estacionei o carro, pude avistá-la, abraçando um cara mais novo. Fui tirar satisfação. Traição não! Já cheguei com um olhar avassalador. Ia pegar o cara pelos colarinhos. Clotilde pediu calma. Era o seu irmão do interior aquele rapaz. Essa era a surpresa...

Bem, quando você ama, se vê num filme como "Casablanca" e que o final é o mais feliz. Nem sempre...

O lado ruim é não ser correspondido. É como se lhe jogassem um balde de água fria, é como algo entalado na garganta, uma dor bem lá no fundinho da alma...

Rita sempre detestava meus presentes, dizia escancaradamente que na primeira oportunidade pegaria o avião e moraria nos Estados Unidos. Sozinha. Sem homens, sem capacho e sem guarda-costas. Um certo dia me chamou para uma conversa. No fundo, até que eu já sabia o teor de nosso encontro. Devia ter conseguido alguma oportunidade no exterior. Estava certo. Me comunicou:

-Vou para a Flórida.

-Você sempre sonhou sair do país, viver sozinha.- quis ser seco e duro.

-Não vou sozinha! –disse –Pronto. Pensei: tinha um amante. - Vou eu e Alfredo. –Alfredo era o Poodle de estimação.

Por isso prefiro ficar sozinho. Sem dor de cabeça. Sem gastos diários com cinema, restaurante, presentes e outras coisas mais...como, por exemplo, a ração do Alfredo. É, era eu quem bancava a comida daquele ser que ela preferiu.

Sexo ágil

As andorinhas sobrevoavam todo o prédio. Faziam um verdadeiro ballet. O clássico, por sinal. A tarde era fresca e agradável. As folhas cobriam as calçadas como um tapete da natureza. Coisas de final de verão. Todas essas peculariedades da vida eram o mais belo sinal de que a estação se despedia dando espaço para o outono. O mês de março chegara...

Naquela tarde de oito de março o salão principal da Academia Brasileira de Letras estava impecável. As cortinas haviam sido trocadas especialmente para a ocasião. Todas rosas, cor símbolo do "sexo ágil". As mesas foram concatenadas em círculo para que todas as convidadas pudessem se entreolhar e ter uma visão ampla do local. Sobre cada uma das mesas havia uma rosa vermelha: uma singela homenagem dos organizadores.

O sino da Igreja mais próxima soava. Cinco horas. As convidadas estavam para chegar. Seu Raimundo, o porteiro, estava ansioso para recebê-las, afinal, para aquela reunião estariam presentes grandes nomes da literatura brasileira. Antes mesmo que pudesse pensar na grandiosidade daquilo tudo, a primeira convidada lhe desejava boa tarde.

- Boa Tarde! - o sotaque nordestino identificava.

- Boa Tarde - Seu Raimundo estremeceu, estava diante de Raquel de Queiroz.

- As outras convidadas já chegaram? - Raquel perguntou docemente com aquele ar calmo e sossegado. Seu Raimundo com intuito de lhe fazer uma gentileza disse:

- É a primeira dona Raquel. A primeira mulher a entrar em nossa Academia Brasileira de Letras. - Aquele jogo de palavras criado por Seu Raimundo foi algo sublime para Raquel que sorriu e sentiu-se honrada com a lembrança.

Mais adiante uma limusine estaciona em frente ao prédio: dele sai uma mulher morena e de cabelos nos ombros. De traços fortes e fisionomia marcante ela se dirigiu para a portaria.

- Oi...O salão principal por favor?- perguntou a mulher com poucas palavras.

- Oi! Sim...a senhora segue esse corredor e na segunda porta à esquerda já estará no salão. - A mulher com quem acabava de trocar meia dúzia de palavras era a grandiosa Clarice Lispector.

- E nos próximos minutos outros grandes nomes femininos de nossa literatura passaram por Seu Raimundo. Lígia Fagundes Telles e Zélia Gattai chegaram juntas. Seu Raimundo ouvira uma conversa sobre uma possível obra com poemas, contos e crônicas de escritoras brasileiras. Ele mesmo ficou muito feliz com o que tinha acabado de ouvir.

Por volta das cinco e meia todas as convidadas estavam no salão da Academia e as mesas estavam completas.

Cecília Meirelles tomou a palavra para iniciar a reunião. A escritora mais do que ninguém se preocupava com o tempo. Não em perdê-lo mas sim em cultivá-lo. O início da reunião se fazia necessário.

- Boa tarde jovens. Minhas saudações e agradecimentos a todas que estão aqui presentes. Ainda mais em um dia tão especial como esse: oito de março. - Todas aplaudiram àquelas primeiras palavras.

Zélia Gattai explicou às demais o motivo daquele encontro. Lígia havia tido a brilhante idéia de reunir, em uma obra, os grandes nomes femininos de nossa literatura. Fazer uma junção de estilos, vanguardas e nomes. Porém alguém interviu:

- Em uma única obra? Impossível!- uma senhora de fala pausada exclamou. Todas se entreolharam. Para as jovens escritoras que desconheciam tal mulher. Raquel de Queiroz fez questão de apresentá-las para as demais. E apresentou Hilda Hilst para todas. A própria sugeriu:

- Façamos edições de uma vasta obra... muitas!

Todas concordaram. E em meio a tantos detalhes como o gênero e o formato que cada uma delas usaria, datas, enredos, os risos e a disposição de todas eram um convite e servia de motivação para qualquer uma que se mostrava insegura diante à proposta.

Zélia quis tocá-las ainda mais. E com suas palavras doces e envolventes lhes disse:

- Para nós a publicação de uma obra como essa é o símbolo da luta feminina e o reconhecimento dentro de uma sociedade. Vitória nossa não só na sociedade dos homens, mas também no universo das palavras e das metáforas...

A reunião prosseguiu e Seu Raimundo, lá da portaria, ouvia risos, aplausos e muitas gargalhadas. Não via a hora de poder ler a primeira edição daquela obra que tanto discutiam e programavam. Não via a hora.

Movimento contra a dependência masculina

Você vive anos e mais anos estudando. Cultiva amizades. Mora com a família e de repente, não tão de repente pois, afinal, você até que tem uma certa familiaridade com o sexo masculino, através de primos, irmãos, pai, avô, amigos... eis que ele surge na sua vida: o namorado.

Vocês se conhecem, começam a sair, a se telefonar, se veêm pelo menos setecentas vezes por semana e, assim, o sábado e o domingo, únicos dias exclusivamente reservado para as baladas e saídas mais inesperadas, como assistir filme na casa daquela sua amiga que tem aquele amigo...hum... Bem... voltando....Você troca tudo isso, que para você era tudo, por ele.

Os primeiros meses de namoro. As idas incansáveis ao cinema. Os beijos que não tem fim. Os telefonemas que duram horas. Você começa a ver que o aniversário daquele seu primo pestinha ou aquela macarronada de domingo na casa da sua tia fofoqueira, não é tão chato assim, afinal você está com ele. Se for pra ir a algum lugar não há outra pessoa melhor pra ir com você, só ele. Até mesmo se for pra ir à padaria. Ele transforma a rotina, o casual, a mesmice, na coisa mais especial no mundo.

Tudo parece tão completo, tão perfeito. Eis que surgem as juras de amor: os necessários e os eternos "eu te amo". A sua vida começa a não ter o mínimo sentido sem ele. E ai de quem disser alguma coisa a respeito ou fazer algum comentário do jeito dele, é ao mesmo tempo declarar guerra contra você.

Só que os dias, as semanas e os meses passam e você descobre que o príncipe, não é tão príncipe assim. Ele tem defeitos. Não te liga mais mil vezes ao dia, parece distante e qualquer coisa que você diz, ele interpreta como um insulto, uma provocação. É hora de dar um tempo.

Agora você se encontra no seu quarto triste, sozinha, se sentindo a pior das criaturas do mundo. Derrama lágrimas. Lembra dos amigos, aqueles das baladas, das saídas inesperadas. Você não fala com eles há tempos. Olha no espelho e já não se acha tão linda como antes. Precisa de alguém que lhe diga que você é maravilhosa e charmosa mesmo quando está com aquela cara amassada, com o cabelo despenteado.

Nesse momento você promete a si mesma que vai mudar. Que homem nenhum vai te prender e fazer você esquecer da vida, das baladas, das amizades...Na verdade, eles não têm culpa. A gente é que tem culpa. Culpa de sermos mulheres. Mulher quando se apaixona perde o rumo, tudo deixa de ser prioridade. O amado é a prioridade. Aí você conclui: Que tal um movimento contra a dependência masculina? De certo, você vai encontrar milhares de mulheres para lutar pela mesma causa, mas vai perdê-las pouco a pouco, quando cada uma delas se apaixonar novamente. Até chegar, mais uma vez, ele: o seu amor.

 

 

 

 

"Ô Abre Alas que eu quero me suicidar"

"O Brasil começa depois do Carnaval!". Essa frase que mais parece um lema nacional, me deixa indignada. Como um país pode adiar tudo para depois de uma festa popular?

Ligo a TV. No jornal vejo as crianças todas cheias de entusiasmo e fantasiadas. Minha mãe acabou de comentar que eu era igualzinho e me lembrou da minha hilária fantasia de Bozo.

- Mãe, como você me deixou pular com aquela roupa de palhaço?-pergunto.

- Foi você que escolheu filha, na verdade você queria a do Jaspion mas como não encontrou acabou comprando a do Bozo.- Jaspion? Putes, é o fim... que ninguém saiba disso. Pausa!

Meu ódio pelo Carnaval não chega a ser tão intenso. Moderado por sinal. É que hoje em dia a festa possui fortes conotações. A sexual é uma delas. A alcoólica é outra. É que as pessoas se transformam nesses cinco dias. Tem gente que de Paulão durante semana vira Paulinha no Carnaval e vice-versa. Perigoso. Ninguém pula com primeiras intenções. Segundas, lógico! Pausa!

Os antigos comentam dos bailes, de como era agradável e inesquecível ‘brincar’ Carnaval. Os bailes. As máscaras. Carnaval era glamour. Hoje em dia a expressão brincar já foi enterrada. Hoje se pula Carnaval. Menos mal. Eu também prefiro pular ‘o’ Carnaval.

Alguns amigos me convidaram para viajar. Devia ter ido. Devia ter aceito a proposta do meu pai de irmos passar o Carnaval no sítio do primo dele, aliás, o primo, a esposa e mais seus dois filhos pestinhas. Pausa!

Mudo o canal. A repórter está ao vivo no meio da multidão em Salvador. Por dinheiro nenhum eu estaria no lugar dela. Aquele povo suado, descabelado, sem forças, sem dormir, correndo atrás do Trio...e o pior: eles pagam para estar lá! Minha gente! Pausa!

Desisto. A TV não tem nada de "digerível". Acesso a Internet. Outra decepção, na página principal "confira agora o show do Araketu", "veja as fotos das musas desse carnaval", "Gisele Budchen no trio de Daniela Mercury". O pior: eu pago por isso! Minha gente! Que pausas o quê! É muita bagunça no país do Carnaval.

 

No Divã

Sabe quando você está naquela fase que precisa conquistar tudo? É! Tudo, tudo e tudo! Talvez você, leitor, esteja vivendo esse momento efêmero, ou ainda o vá passar. Geralmente, os humanos vivem essa fase diversas vezes na vida. Não há um dia certo para que essa fase aconteça, na maioria dos casos ela atinge os jovens lunáticos, feito eu... Esse sentimento, que mais parece uma patologia, te invade a alma e...pimba! Faz você querer ser o dono, ou melhor, no meu caso, a dona do mundo.

Não basta conquistar um emprego. Você quer o melhor deles, aquele te faça feliz, que tenha o melhor e mais

bondoso dos chefes. Aquele que te leve ao desgaste físico e psíquico, mas que logicamente seja por uma boa causa. Aquele que você ganhe bem, que desperte perspectivas, oportunidades, vontade e mais vontade.

E o amor? Ah... você não quer só conquistar aquele namorado, né? Quer já ter encontrado sua alma gêmea, a cara metade, o seu outro pedaço perdido por aí. Você quer aquele amor que te marque a alma, que faça do seu dia-dia o mais perfeito de todos os mortais, que transforme o simples no inesquecível, no mágico...

Ô fase ingrata! Você quer conquistar isso e muito mais. Quer ter o corpo mais sarado e desejado do mundo, quer estar linda a todo instante, quer ser uma pessoa cortejada por todos os seres. Quer conquistar vitalidade e mais e mais saúde.

Conquistar é algo que fazemos a todo momento, automaticamente, desde o primeiro dia que nascemos, somos sempre treinados para tal façanha, só que há horas que queremos conquistar tudo e de uma vez só, não é mesmo?

Calma e respira meu amigo. Às vezes querer conquistar o mundo não é tudo. Por parte, como um serial killer pode ser ainda mais prazeroso e marcante. Passo a passo, de grão em grão. Tudo tem seu tempo. Administre seu gás. Na hora exata você saberá o momento de usá-lo com maior densidade. Agora, o que você não pode deixar de conquistar diariamente são os elogios, atenção, respeito, amizades...pessoas! Não há coisa mais sublime quando queremos conquistar as pessoas a nossa volta. Conquistar os amigos, os pais, os irmãos e aquele novo amor. O ego e a alma agradecem. E tudo isso a gente faz pelo simples sorriso, com uma conversa, um telefonema, um olhar... Um desses gestos já é suficiente para tocar e preencher de felicidade o coração das pessoas. Espalhe felicidade! Antes de querer conquistar qualquer coisa, conquiste as pessoas que estão ao seu redor. O resto e as melhores oportunidades vêm aos poucos, é só aguardar.

O primeiro dos Contos: Cuba Libre!

CUBA LIBRE - by Layza Portes

-Estou indo bixxxoooooo!- respondi em alto e bom som.

-Pô Faussssss...to. Desse jeito a gente vai chegar meia noite no baile. - disse Paulão, o carioca todo nervosinho da turma. Antes que reclamasse mais uma vez, resolvi desligar o telefone. Faz de conta que a linha caiu...tutututututu.

Desci as escadas às pressas. Para variar, a "jamanta", eu obviamente, estava atrasado. Não tanto. Paulão morava tão perto que em cinco minutos eu estaria lá. Cinco? Dez! Eu não ia correr não! Pensou chegar suado no baile? Se para o grande escritor José de Alencar, cinco minutos podem mudar a vida de um homem, para mim, naquele dia, eles podiam me fazer chegar melado na festa. Imagina só ficar com o meu topete desarrumado. Não ia ter parafina para consertar...Aí que os brotinhos não iam olhar mesmo.

O céu da pequena cidade de Americana estava sublime. As estrelas convidavam qualquer um para uma noite maravilhosa. Em exatos dez minutos cheguei à rua de Paulão. De longe o som entregava: a rapaziada já estava começando a festa, ou melhor, farreando e bebendo Cuba.

- Quero que você me aqueça nesse inveeeeerrrrnooo!!! Entrei na casa do Paulão assustado. Quem seria o infeliz que se atrevera a cantar de tal maneira? Nada contra o rei, Roberto Carlos tinha toda a minha admiração, mas a música depois dessa sofrível interpretação, tinha sido enterrada.

- Faustooo! - Ah, mas eu sabia que a noite ia ser boa. Ao entrar na sala do Paulão um jovem alto e magricelo gritava o meu nome. Não pude esconder a alegria ao reconhecer a figura. Seu primo Elias, também havia vindo para o baile. "Lisão" , como o chamávamos, era um velho amigo de farras. Ele, eu e Paulão éramos o trio da pesada. A farra estava completa. A noite ia ser boa. Era batata! Aliás, ao seu lado, uma linda garota. Seria sua namorada? Bem, Elias não era de assumir compromissos sérios...

- E aí Lisão! -exclamei todo feliz.

- Pô bixo, vim pra festa também!- ele me abraçou todo...Bêbado. Ao seu lado a linda jovem reluzente não escondia a empolgação para o baile.

- Sua amiga? - indaguei para Lisão na tentativa de ser ainda mais simpático.

- Ô Fausto, essa é a minha prima Dora. Não lembra?- Bem, lembrar mesmo, acho que não, pensei comigo. A única coisa que minha mente registrava era uma menininha brincando, na terra do quintal da casa do Elias, lá em Lins. Até me lembro que eu achava nojento aquela menina no barro. Seria ela? Pelo visto a garota da terra, cresceu e floresceu...Gamei!

Fomos então os quatro no fuscão do Lisão para o baile. Eu e o Paulão atrás, a linda Dora no banco da frente.

- Teu fuscão está bem conservado.- quis ser simpático com Elias, afinal, tínhamos tudo para sermos...primos!

- Obrigado.- Elias respondeu seco. Ele já devia saber que por tras de toda a minha gentileza havia um interesse.

       Chegamos na porta do clube às 11:30h. Uma faixa bem grande anunciava:

- "Baile da Primavera: Cuba libre a noite inteira!" - Paulão leu em alto e bom som.

- Vai ser demais! - Dora respondeu toda eufórica.

- O que estamos esperando? - perguntei com ar de "líder do grupo".

Foi ao entrar no salão que o pecado começava. A banda já arrasava com suas músicas. Beatles, Roberto Carlos, Os Incríveis....eram alguns dos nomes mais tocados. Paulão já tratou de ocupar uma das minhas mãos com um copo de Cuba. Passados 20 minutos, outro. Depois outro e mais outro. E mais um outro. Foi quando tomei coragem de chegar em Dora. Cheguei...só que...

- Você vem sempre aqui?- lancei uma pergunta, ou, ou...Péssima pergunta! Lembro que Dora parecia confusa. Olhava-me assustada. Meus olhos começaram a ficar embassados, a música parecia distante, um sono bom, uma tontura...

       (...)

-Bufght!!!- esse foi mais ou menos o barulho que fez quando desabei bêbado no salão do Clube de Americana, foi o que disse Paulão todo engraçadinho, me tirando uma em casa no dia seguinte.

-Bixo eu melei tudo? E a Dora?- perguntei na tentativa de compreender o episódio.

-Ela te olhou no chão como se você fosse uma criança brincando no barro. Com um ar de... -ele nem precisava completar a frase. A maldita da Cuba tinha me estragado a noite e levado a minha chance com Dora. Que garota ia querer um bebum?Mardita!

-E você fez o quê?

-Te recolhi, fiz o favor de te colocar no carro, te larguei aqui na sala...Hahaha...Paulão satirizava.

       A lição nisso tudo? Bem...Essa é a vantagem de se ter amigos: eles te levam    para o mau caminho, te embebedam com Cuba e trazem você de volta para a casa. Bendita Cuba... malditos amigos.

 

Saudações

Sejam Bem Vindos!!!!

Espero que este espaço se torne produtivo, reflexivo, engraçado, bacana, divertido, enfim...

Saudações...

Layza!

 

 

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