No Divã

Sabe quando você está naquela fase que precisa conquistar tudo? É! Tudo, tudo e tudo! Talvez você, leitor, esteja vivendo esse momento efêmero, ou ainda o vá passar. Geralmente, os humanos vivem essa fase diversas vezes na vida. Não há um dia certo para que essa fase aconteça, na maioria dos casos ela atinge os jovens lunáticos, feito eu... Esse sentimento, que mais parece uma patologia, te invade a alma e...pimba! Faz você querer ser o dono, ou melhor, no meu caso, a dona do mundo.

Não basta conquistar um emprego. Você quer o melhor deles, aquele te faça feliz, que tenha o melhor e mais

bondoso dos chefes. Aquele que te leve ao desgaste físico e psíquico, mas que logicamente seja por uma boa causa. Aquele que você ganhe bem, que desperte perspectivas, oportunidades, vontade e mais vontade.

E o amor? Ah... você não quer só conquistar aquele namorado, né? Quer já ter encontrado sua alma gêmea, a cara metade, o seu outro pedaço perdido por aí. Você quer aquele amor que te marque a alma, que faça do seu dia-dia o mais perfeito de todos os mortais, que transforme o simples no inesquecível, no mágico...

Ô fase ingrata! Você quer conquistar isso e muito mais. Quer ter o corpo mais sarado e desejado do mundo, quer estar linda a todo instante, quer ser uma pessoa cortejada por todos os seres. Quer conquistar vitalidade e mais e mais saúde.

Conquistar é algo que fazemos a todo momento, automaticamente, desde o primeiro dia que nascemos, somos sempre treinados para tal façanha, só que há horas que queremos conquistar tudo e de uma vez só, não é mesmo?

Calma e respira meu amigo. Às vezes querer conquistar o mundo não é tudo. Por parte, como um serial killer pode ser ainda mais prazeroso e marcante. Passo a passo, de grão em grão. Tudo tem seu tempo. Administre seu gás. Na hora exata você saberá o momento de usá-lo com maior densidade. Agora, o que você não pode deixar de conquistar diariamente são os elogios, atenção, respeito, amizades...pessoas! Não há coisa mais sublime quando queremos conquistar as pessoas a nossa volta. Conquistar os amigos, os pais, os irmãos e aquele novo amor. O ego e a alma agradecem. E tudo isso a gente faz pelo simples sorriso, com uma conversa, um telefonema, um olhar... Um desses gestos já é suficiente para tocar e preencher de felicidade o coração das pessoas. Espalhe felicidade! Antes de querer conquistar qualquer coisa, conquiste as pessoas que estão ao seu redor. O resto e as melhores oportunidades vêm aos poucos, é só aguardar.

O primeiro dos Contos: Cuba Libre!

CUBA LIBRE - by Layza Portes

-Estou indo bixxxoooooo!- respondi em alto e bom som.

-Pô Faussssss...to. Desse jeito a gente vai chegar meia noite no baile. - disse Paulão, o carioca todo nervosinho da turma. Antes que reclamasse mais uma vez, resolvi desligar o telefone. Faz de conta que a linha caiu...tutututututu.

Desci as escadas às pressas. Para variar, a "jamanta", eu obviamente, estava atrasado. Não tanto. Paulão morava tão perto que em cinco minutos eu estaria lá. Cinco? Dez! Eu não ia correr não! Pensou chegar suado no baile? Se para o grande escritor José de Alencar, cinco minutos podem mudar a vida de um homem, para mim, naquele dia, eles podiam me fazer chegar melado na festa. Imagina só ficar com o meu topete desarrumado. Não ia ter parafina para consertar...Aí que os brotinhos não iam olhar mesmo.

O céu da pequena cidade de Americana estava sublime. As estrelas convidavam qualquer um para uma noite maravilhosa. Em exatos dez minutos cheguei à rua de Paulão. De longe o som entregava: a rapaziada já estava começando a festa, ou melhor, farreando e bebendo Cuba.

- Quero que você me aqueça nesse inveeeeerrrrnooo!!! Entrei na casa do Paulão assustado. Quem seria o infeliz que se atrevera a cantar de tal maneira? Nada contra o rei, Roberto Carlos tinha toda a minha admiração, mas a música depois dessa sofrível interpretação, tinha sido enterrada.

- Faustooo! - Ah, mas eu sabia que a noite ia ser boa. Ao entrar na sala do Paulão um jovem alto e magricelo gritava o meu nome. Não pude esconder a alegria ao reconhecer a figura. Seu primo Elias, também havia vindo para o baile. "Lisão" , como o chamávamos, era um velho amigo de farras. Ele, eu e Paulão éramos o trio da pesada. A farra estava completa. A noite ia ser boa. Era batata! Aliás, ao seu lado, uma linda garota. Seria sua namorada? Bem, Elias não era de assumir compromissos sérios...

- E aí Lisão! -exclamei todo feliz.

- Pô bixo, vim pra festa também!- ele me abraçou todo...Bêbado. Ao seu lado a linda jovem reluzente não escondia a empolgação para o baile.

- Sua amiga? - indaguei para Lisão na tentativa de ser ainda mais simpático.

- Ô Fausto, essa é a minha prima Dora. Não lembra?- Bem, lembrar mesmo, acho que não, pensei comigo. A única coisa que minha mente registrava era uma menininha brincando, na terra do quintal da casa do Elias, lá em Lins. Até me lembro que eu achava nojento aquela menina no barro. Seria ela? Pelo visto a garota da terra, cresceu e floresceu...Gamei!

Fomos então os quatro no fuscão do Lisão para o baile. Eu e o Paulão atrás, a linda Dora no banco da frente.

- Teu fuscão está bem conservado.- quis ser simpático com Elias, afinal, tínhamos tudo para sermos...primos!

- Obrigado.- Elias respondeu seco. Ele já devia saber que por tras de toda a minha gentileza havia um interesse.

       Chegamos na porta do clube às 11:30h. Uma faixa bem grande anunciava:

- "Baile da Primavera: Cuba libre a noite inteira!" - Paulão leu em alto e bom som.

- Vai ser demais! - Dora respondeu toda eufórica.

- O que estamos esperando? - perguntei com ar de "líder do grupo".

Foi ao entrar no salão que o pecado começava. A banda já arrasava com suas músicas. Beatles, Roberto Carlos, Os Incríveis....eram alguns dos nomes mais tocados. Paulão já tratou de ocupar uma das minhas mãos com um copo de Cuba. Passados 20 minutos, outro. Depois outro e mais outro. E mais um outro. Foi quando tomei coragem de chegar em Dora. Cheguei...só que...

- Você vem sempre aqui?- lancei uma pergunta, ou, ou...Péssima pergunta! Lembro que Dora parecia confusa. Olhava-me assustada. Meus olhos começaram a ficar embassados, a música parecia distante, um sono bom, uma tontura...

       (...)

-Bufght!!!- esse foi mais ou menos o barulho que fez quando desabei bêbado no salão do Clube de Americana, foi o que disse Paulão todo engraçadinho, me tirando uma em casa no dia seguinte.

-Bixo eu melei tudo? E a Dora?- perguntei na tentativa de compreender o episódio.

-Ela te olhou no chão como se você fosse uma criança brincando no barro. Com um ar de... -ele nem precisava completar a frase. A maldita da Cuba tinha me estragado a noite e levado a minha chance com Dora. Que garota ia querer um bebum?Mardita!

-E você fez o quê?

-Te recolhi, fiz o favor de te colocar no carro, te larguei aqui na sala...Hahaha...Paulão satirizava.

       A lição nisso tudo? Bem...Essa é a vantagem de se ter amigos: eles te levam    para o mau caminho, te embebedam com Cuba e trazem você de volta para a casa. Bendita Cuba... malditos amigos.

 

Saudações

Sejam Bem Vindos!!!!

Espero que este espaço se torne produtivo, reflexivo, engraçado, bacana, divertido, enfim...

Saudações...

Layza!

 

 

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