Menino...

 

Menino. Bonzinho. Bem educado. Inteligente. Esperto. Menino querido. Único. Amado.  Moldado. Sufocado...

- Cuidado para não se machucar. Não veja isso. Nem aquilo. Cresça, mas sob os meus olhos. Voe, mas até onde eu possa observá-lo - dizia-lhe a mãe. Tantas especificidades desse menino. Tamanha complexidade tinha seu espírito.

 

Garoto de tantas perdas...

 

Primeiro foi-se o sonho. Queria ser ator. Tinha talento. O menino sabia. Todos sabiam. Não acreditou no sonho. Pela primeira vez cometeu a primeira barbaridade. Exterminou o sonho. Mas ele chegou a decolar. Mas lá de cima, menino viu que precisava voltar.

 

Depois vieram os medos...

 

Tantos! Quantos? Muitos, muitos... Era medo de voar. De falar. Das pessoas. Do mundo. Medo de viver. De sentir. De tanto ter medo, parecia ingênuo. Solitário, patinho feio. Inseguro. Depois veio coragem. Mas que coragem? Se ele fazia o que os normais faziam. Menino teve coragem de mudar. Ousar. De levantar vôo. E como voava. Só que de tal vôo, um acidente. E pôs-se mais uma vez a sofrer, sofrer... E se escondeu atrás dos sonhos...

 

Aí vieram os pesos...

 

O peso do trabalho, da competição, das cobranças... Peso que lhe jogavam de tal forma que doía, ardia, sufocava, estrangulava-lhe os miolos...

 

Aí veio a separação...

 

Sentiu a dor. Mas pela primeira vez conseguira respirar como nunca havia feito antes. Mas passaram-se os meses, as semanas, os dias... E como tudo ainda doía para o menino, chegara à conclusão que tudo ia ser sempre dor. E que dor. Dor que sempre ia acompanhar o menino. Sempre...

 

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Música, Arte e cultura